06/03/2026
02:19:11 PM
Um dos crimes mais brutais registrados em Mato Grosso ganhou repercussão nacional após as investigações apontarem que duas irmãs teriam sido confundidas com integrantes de uma facção criminosa por causa de uma fotografia publicada nas redes sociais.
As vítimas foram identificadas como Rayane Alves Porto, de 25 anos, candidata a vereadora nas eleições de 2024, e Rithiele Alves Porto. Além da atuação política de Rayane, as duas trabalhavam juntas na administração de um circo da família.
Segundo as investigações, uma foto publicada por Rayane começou a circular entre integrantes de uma organização criminosa. Na imagem, as irmãs apareciam fazendo um gesto com as mãos que teria sido interpretado pelos criminosos como um símbolo ligado a uma facção rival.
A partir daquele momento, elas passaram a ser vistas como suspeitas de integrar o grupo adversário, mesmo sem qualquer prova de envolvimento com organizações criminosas.
Na noite de 14 de setembro de 2024, as irmãs participaram de um festival de pesca no município de Porto Esperidião, no interior de Mato Grosso. Elas estavam acompanhadas do namorado de Rithiele e de outro homem.
Quando retornavam para casa, os quatro foram interceptados e sequestrados por integrantes da facção.
As vítimas foram levadas para uma residência, onde passaram por horas de violência e tortura. Durante o período em que permaneceram no local, os criminosos vasculharam os celulares das irmãs em busca de qualquer evidência que comprovasse uma suposta ligação com a facção rival.
De acordo com a investigação, nenhuma prova foi encontrada.
As autoridades concluíram que as irmãs não possuíam qualquer envolvimento com facções criminosas e não tinham histórico relacionado à criminalidade.
Em determinado momento, um dos homens sequestrados conseguiu escapar pulando o muro do imóvel e pediu ajuda. A fuga foi fundamental para que a polícia descobrisse o que estava acontecendo.
Quando os policiais chegaram ao local, encontraram um dos rapazes ferido. Em outro cômodo da residência, localizaram os corpos das duas irmãs.
As investigações apontaram que Rayane e Rithiele foram submetidas a extrema violência. Segundo a polícia, ambas tiveram dedos das mãos mutilados e foram mortas com golpes de arma branca.
Outro detalhe que chocou o país foi a descoberta de que a execução teria sido acompanhada em tempo real por videochamada por um líder da facção que estava preso em uma unidade prisional. Conforme depoimentos obtidos pela investigação, a ordem para matar as irmãs teria partido dele.
As apurações resultaram na prisão de diversos envolvidos. Ao longo da investigação, a Polícia Civil identificou a participação de pelo menos 10 pessoas no crime, incluindo integrantes responsáveis pelo sequestro, tortura, vigilância das vítimas e execução.
O caso gerou revolta em todo o país e voltou a acender o alerta para situações em que pessoas sem qualquer envolvimento com organizações criminosas acabam se tornando alvo de acusações feitas por facções, muitas vezes baseadas apenas em interpretações equivocadas de fotos, gestos ou publicações nas redes sociais.
Emanuelle - Crimes & Notícias
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