06/11/2026
10:18:16 AM
Walter Rodrigues da Silva, 73 anos, deixou Boa Vista, em Roraima, e viajou milhares de quilômetros até Belo Horizonte movido por uma certeza: a mulher que ele acompanhava nas redes sociais o havia convidado para um encontro.
Não havia convite. A mulher postava vídeos falando diretamente para a câmera — um formato que cria a sensação de conversa íntima com quem assiste. Para Walter, aquelas mensagens eram pessoais. Para ela, eram conteúdo para milhares de seguidores. Ela nem sabia que ele existia.
“Eu conheci uma senhora pelo celular. Aí ela me convidou para vir aqui, pra conhecer ela”, relatou Walter ao chegar em Belo Horizonte.
Assim que chegou à rodoviária da capital, a situação piorou rapidamente. Ele perdeu a mala durante o trajeto e teve o celular furtado. Sem contato com ninguém e sem dinheiro, foi abordado por um homem que se apresentou como advogado e prometeu ajuda. O golpista o levou para sua casa e lá, ele e as próprias filhas roubaram o dinheiro que restava a Walter.
A extorsão foi tão intensa que o idoso precisou encerrar a própria conta bancária para não perder mais nada. Passou noites dormindo ao relento e na rodoviária.
Foi orientado por desconhecidos até chegar à Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante de Belo Horizonte. “Agora estou dormindo bem, alimentado, bem cuidado”, disse Walter, aliviado. Mesmo depois de tudo, ele ainda mantém a esperança de um dia encontrar a mulher.
O caso de Walter não é isolado. Idosos em todo o Brasil interpretam esse tipo de conteúdo como uma relação real e golpistas sabem disso.
Ele viajou 4.000 km por amor. Encontrou só solidão — e ladrões.
Emanuelle - Crimes & Notícias
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